terça-feira, 9 de outubro de 2018

Fisgado pelo Pará


A oportunidade de construir a primeira Aldeia Totipah na maior floresta do mundo é um convite e um presente amazônico. Mas o coração fica pequenininho tão longe da minha família (de sangue e espiritual) que está na maior parte no meu nordeste. 

Mas desvendando o estado do Pará, vou me encantando pelo seu povo. Este foi o único estado fora do nordeste que #EleNao ganhou. 

Apesar de muitos latifundiários, garimpeiros e monocultores, aqui o povo ainda tem voz. A Amazônia sendo tomada pelas plantações de soja, pecuária e extração ilegal de madeira ainda respira tomando um longo fôlego para o segundo turno. 

O Pará é um dos estados em que mais se mata ecoativistas. Defendeu a floresta e as comunidades, já é ameaçado de morte. Muitas ameaças são executadas. 

Se a Transamazônica já tem sua história banhada pelo sangue, imagine o que acontecerá se os fazendeiros e suas armas ganharem as eleições. 

Pará, aos poucos você se revela e conta baixinho no meu ouvido o porquê de eu estar por aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

É desespero


Observo milhões gastos em campanhas, para depois roubarem milhões que são retirado do bolso de milhões de brasileiros.

Vejo mentiras virtuais convencendo milhões, antes de serem desmentidas possivelmente por outras mentiras. A verdade é sempre hipotética e milhões são manipulados neste jogo de desinformações.

Milhões passam fome. Milhões sofrem violência. Milhões estão cansados. Milhões são ludibriados e estimulados a quererem posses que nem em milhões de anos economizando seriam capazes de comprar.

Não tenho força para lutar neste mundo. A coragem que uns veem em mim de tentar uma vida diferente, não passa de desespero e instinto de sobrevivência.

Cansei da sociedade dos milhões. O único milhão que quero é o da minha plantação orgânica longe da mídia, do dinheiro e das des-ilusões.

Marcelo Totipah

domingo, 30 de setembro de 2018

Não pedi sua opinião


Desde que assumi para o espelho a mentira de que ainda queria pedalar até o Alaska, recebi críticas fortes. 

"Você tirou dinheiro das pessoas dizendo que ia para o Alaska! Você não tem palavra". E isso veio de uma pessoa que me fez uma doação na estrada. 

Primeiro, confundiram convicção com obrigação. Convicções mudam e faz tempo que não me sinto obrigado a nada. Segundo, cheguei à conclusão de que receber doações das pessoas não compensava a intromissão na minha vida. Comecei a me sentir invadido. 

Na Amazônia, estou me curando e tomando rédeas de meus processos. Aprendi a dizer com convicção a dura frase de se escutar: eu não pedi sua opinião. 

Se um dia eu pedir teu conselho, sinta-se especial. Minhas crenças sócio-espirituais são tão diferentes das "normais e comuns" que poucos conseguem se colocar no meu lugar e opinar algo que não me ofenda, prenda ou machuque meu coração. 

Já pensei (e penso) várias vezes em apagar o nome Totipah de todas as redes sociais. Mas recebo tantas mensagens lindas e fortes de pessoas que foram profundamente tocadas por uma história ou um canto que me mantenho aqui. Ao menos, por enquanto.

sábado, 29 de setembro de 2018

Posso mudar?


Sou muito bom em "dizer agora o oposto do que disse antes". Até eu que milito tão fortemente sobre o direito de mudar, me pego preso nas próprias palavras. Depois de dias de silêncio e reanálise, caguei para o que pensam. Vida é minha, não é verdade? 

A ordem não existe. Eu quero é caos, anarquia e mudança. Pois o mundo flui, roda e sapateia. Não cometam o mesmo erro que eu e a minha falsa liberdade vivemos. Deixe o verbo mudar! 

Eu vou, eu fico. Eu sabia, mas já num sei de mais nada. Liberte-se da própria palavra e promessa. 

Fui sempre hetero, mas achei um amor gay. Era católico, mas a macumba me chamou. Era empresário bem de vida, mas agora sou hippie estradeiro... 

Como digo para meus amigos: quero nunca até querer de novo e quero sempre até não querer mais. 

Acredito que existem muitas e muitas vidas. Mas a consciência de cada vida é única e aproveitar para experimentar é quase obrigação cármica. 

Divulguei por três anos que ia até o Alaska e desisti no meio do caminho. Que seja. Sei que não sou mais o exemplo de foco e persistência. Mas ser exemplo também cansa. O que não cansa é viver de braços abertos cada mudança do meu coração. 

Na água pegando fogo


Eu disse que ia para o Alaska e larguei tudo me curando na Amazônia. Que queria viajar em silêncio, mas estou aqui abrindo o bico depois de muitos dias.

Não vou explicar o que aconteceu em comentários. Gastei minhas melhores palavras no primeiro capítulo do livro da minha vida (baixe aqui). Algumas coisas não cabem em postagens, nem na pressa. Não existe resumo de um coração. O jeito é parar e reservar um tempo para entender o outro. Quem fizer questão, claro.

O resumo da ópera é que estamos bem, no Brasil e viemos à Amazônia para ficar. Estamos em direção à terra que nos ofereceram muitos meses atrás. Nada mais importa. Vamos construir um lugarzinho para chamar de lar. É mais que hora de fazer existir a Aldeia Totipah.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os Cinco Princípios da Aldeia


É importante ressaltar que nascemos e nos criamos em uma sociedade que combate de frente este cinco princípios. Para nós não existe rigidez ou prazo para que alcancemos esses ideais. O experimento social da “Aldeia Totipah” respeita nossos limites e limitações, assim como nos impulsiona a criar uma nova forma sustentável de cooperação social e sobrevivência. Não existirá lideranças ou chefes demarcados com cargos e hierarquias, mas pessoas que inspiram confiança e magnetismo ao exercerem seus dons se tornando referências nas áreas que mais atuam. 

Economia Amorosa - Temos como objetivo suprimir o uso da moeda facilitadora. Até chegarmos a autosuficiência, ainda manipularemos dinheiro, mas dando preferência ao escambo daquilo que precisamos e ainda não produzimos. Mas economia amorosa não é necessariamente viver de trocas. É partilhar dons e abundância com amor sem nenhum interesse em troca e também receber de braços abertos presentes repletos de carinho. 

Lixo Zero - A quantidade de lixo que culturalmente produzimos ainda acabará com o planeta. Deixando de utilizar plástico e usando o mínimo de vidro e metais, sobrará apenas lixo orgânico que vai para a composteira sendo reaproveitado. Nossa meta é descobrir formas de viver que não produzam uma grama de lixo. 

Não Eletricidade - O ciclo do dia e da noite nos equilibram. Sem energia elétrica reaprenderemos a nos moldar às nuances do Sol e às fases da Lua. A fogueira volta a ser o centro. Ao viver sem eletricidade, por consequência vivemos sem internet e o único mundo              virtual que existe vem da nossa mente.

Espiritualidade Libertária - Acreditamos que o mundo seria melhor sem religiões castradoras, violentas e baseadas em livros arcáicos que promovem o controle e a culpa. Nossa manifestação espiritual caminha para a liberdade, a saúde no sentido mais amplo, o bem-estar e a aceitação do próximo com suas diferenças. 

Pluralidade de Gêneros - Partimos do pressuposto que todos nascemos potencialmente bissexuais e com a energia masculina efeminina dentro de cada um de nós. A vida, as experiências e as paixão deveriam definir nossas preferências e não as culturas tradicionais que tentam enquadrar e modelar padrões de forma binária, classificando relações entre certo e errado. Nossa Aldeia impulsionará a liberdade sexual e amorosa. Todo tipo de relação é abraçado e toda definição (ou não definição) de gênero será bem vinda. 

Mãos que se doam


Sair do sistema é uma tarefa árdua. Existem infinitas armadilhas que nos prendem e enfraquecem.

Doações apenas presenciais. Mãos e ideias nos ajudando a bio-construir e sobreviver no meio da Amazônia. Por questões filosóficas, físicas e burocráticas não aceitamos mais doações em dinheiro. 


Todo nosso trabalho, energia e conhecimento serão convertidos em alimentação para voluntários e animais, sementes e ferramentas de construção, plantio e colheita. 

Neo-Indígena


Já assistimos muitas etnias morrerem. Outras tantas lutam para não deixarem de existir. Mas como elas nascem?

A Aldeia Totipah é um renascimento potencializado pela canalização de mensagens que chegam de outra constelação. Povos ancentrais chamavam a estrela que iluminava seu planeta de Totipah. 

Aquecido por outro brilho solar, assumo meu sacerdócio, tentando aproximar-me da vida natural que minha essência clama.

Visite-nos


A Aldeia parece um ideal utópico. Mas acreditamos ser plenamente possível se mais pessoas abraçarem nosso sonho.

Venham com suas histórias, dons e energia. Quando possível, tragam mudas medicinais, frutíferas, comestíveis, sementes criolas, cristais e instrumentos musicais.

O caminho para chegar a Aldeia é difícil. Mas se a vontade é do coração, todo obstáculo é aprendizado e auto-conhecimento.

Para localização, entre em contato:

Desconectando


Brasileiros e sulamericanos têm sangue indígena correndo em suas veias. Deixar a tecnologia que serve à desigualdade social e ao capital escravizante é uma forma de não contribuir com o sistema, ao mesmo tempo que se abraça a ancestralidade da mata.

Para nós, a dificuldade de desvincular da sociedade da ganância é superada pela necessidade de viver livre e em conexão com a natureza. 

É o movimento de poucos, mas já existe. E a Aldeia Totipah está sendo criada para acolher estes que respeitam o chamado interior.